Passagem da bíblia:Numa ocasião, o apóstolo João disse a Jesus: "Mestre, vimos certo homem expulsar demônios (espíritos) pelo uso de teu nome, e tentamos impedi-lo, porque não nos acompanhava." Este homem, evidentemente, era bem sucedido em expulsar demônios (espíritos inferiores), porque Jesus disse: "Ninguém há que faça uma obra poderosa à base do meu nome que logo possa injuriar-me." Portanto, Jesus ordenou que não tentassem impedi-lo, "pois quem não é contra nós, é por nós". (Mc. 9:38-40. Entre Jesus e as religiões eu fico com Jesus.

30.1.08

O Poder da Fala e a Palestra Espírita

Waldehir Bezerra de Almeida


Uma das mais importantes funções da Casa Espírita
é divulgar e comunicar a Doutrina Espírita. E o
instrumento que todas possuem em abundância é a
palavra dos seus dirigentes e trabalhadores.
É urgente aprimorá-la para o exercício dessa tarefa sublime.

Os povos da Antigüidade, que muito pouco usavam a escrita para registro dos seus pensamentos e feitos em razão das limitações impostas pelo contexto histórico e cultural, valorizavam extraordinariamente a palavra falada e admitiam fosse ela uma entidade dinâmica que tivesse vida própria. Essa crença muitas vezes chegava a outorgar à forma da palavra uma força que ela não possui na realidade. Daí o surgimento de vocábulos e expressões com poderes mágicos e a certeza na magia de tal ou qual oração, e a crença de que bastaria pronunciá-la para se obter um resultado desejado.

Essa crendice manifestava-se, de forma indiscutível, nos pronunciamentos solenes, como nas expressões formais de um acordo comercial ou político, de um matrimônio, de contratos e de promessas, admitindo-se que a palavra liberava uma energia e, quando pronunciada com solenidade devida, gerava a realidade que lhe dava significado. Até hoje há quem pense assim. Temos o exemplo de fórmulas latinizadas usadas pela Igreja na exorcização dos Espíritos obsessores.

Aqueles povos, de certa forma, não estavam longe da verdade, não obstante envolverem-na com o mito. Vejamos o que atualmente se sabe a respeito da fala. O venerável Espírito Bezerra de Menezes, manifestando-se sobre seus efeitos metabólicos em nosso organismo físico, ensina:

“- Sabe-se, hoje, cientificamente, que a boa palavra proferida com entusiasmo, faz que o cérebro e o hipotálamo secretem uma substância denominada endorfina, que atua na medula e bloqueia a dor, tal como corre na acupuntura”.[1]

E o estudioso médico do plano invisível, André Luiz, complementa o ensinamento informando-nos a dinâmica dessa ação.

“- A palavra, qualquer que ela seja, surge invariavelmente dotada de energias elétricas específicas, libertando raios de natureza dinâmica”.[2]

Sabendo-se que a matéria é energia altamente condensada, simples é concluir que ela seja facilmente alterada por outra forma de energia, ou seja, aquela conduzida pela emissão da voz.

Indubitavelmente, a palavra falada contém imagens e conceitos. É um excitante condicional tão real quanto à coisa que representa. Emitida com veemência, convicção e amor conduz idéias e quadros felizes, com a missão de expulsar os similares sombrios que mourejam no campo mental de quem as ouve, favorecendo a entrada da esperança e da felicidade. Não é sem fundamento que o referido médico, usando da liberdade e dos aprimorados recursos que o Plano Espiritual lhe oferece, ao estudar a gênese da palavra chegou à conclusão que com ela nasce a nossa responsabilidade perante a vida.[3] Analisando-a como instrumento valioso para o elevado ministério de intercâmbio das idéias entre os homens, afirma aquele Espírito que “é por ela que os homens se aproximam e se ajustam para o serviço que lhes compete e, pela voz, o trabalho pode ser favorecido ou retardado, no espaço e no tempo.” [4] Logo, é conveniente e caritativo que a fala receba os cuidados necessários, tanto na forma quanto na essência, para servir com fidelidade e nobreza à tarefa de divulgar e comunicar o Espiritismo.

Enfatizando o papel que a fala tem a desempenhar na disseminação das coisas divinas, lembramos: - Zoroastro, na Pérsia, com a voz, proporcionou se escrevesse o “Zend-a-Vesta”, deixando ensinamentos valiosos sobre a luta entre bem e o mal e a necessidade do homem contribuir para a vitória do amor, cultivando virtudes.

- Buda, na Índia, verbalizando com sabedoria os seus pensamentos e sentimentos, induziu seus seguidores a escreverem o “Tripitaka”, com ensinamentos que muito se assemelham aos trazidos mais tarde pelo Espírito de Verdade.

- Sócrates, na Grécia, inquirindo e dialogando, sem nada escrever, foi considerado por Kardec como um precursor do Cristianismo, em virtude dos seus elevados ensinamentos registrados com vigor pelo seu discípulo Platão.

- Francisco de Assis, o santo da pobreza, na Itália da Idade Média, não se preocupou em registrar nada por escrito, mas seus “fioretti” (florzinhas) vocalizadas com fragrância de amor e fraternidade, perfumaram para sempre as almas simples dos crentes em Deus.

Finalmente, a mensagem mais importante que o homem recebeu na Terra, até então, foi revelada unicamente pela palavra. Jesus na Judéia, contando parábolas e usando divinamente a fala, deu origem aos Evangelhos, que trazem o mais significativo discurso que a Humanidade tem conhecimento: O Sermão da Montanha.

O Nazareno falou com tanta veemência, amor e sabedoria, que a vibração da sua voz se mantém ecoando até hoje, estremecendo a dureza de nossos corações, tal como as trombetas de Josué estremeceram os muros de Jericó. Dando continuidade ao processo, os Apóstolos saíram pregando a Boa Nova, usando a palavra. Entre eles se destacou Paulo de Tarso, que levou a mensagem do Cristo aos gentios através do verbo inflamado e objetivo, fundando igrejas no Oriente e no Ocidente. Quando sobrecarregado de tarefas do apostolado, resolveu conversar com os seus convertidos, usando a palavra silenciosa da escrita, deixando para a posteridade as suas epístolas. Mesmo assim, jamais abandonou o púlpito, onde esclarecia os gentios e inflamava seus corações com sua fala convicta, fundamentada no conhecimento e robustecida na fé.

Incontestável, científico e estratégico reconhecer a força da palavra. Lembra-nos o Espírito Joanna de Ângelis: - “Falando, heróis e santos reformularam os alicerces da idiossincrasia ancestral, colocando alicerces para a Era Melhor.” [5]

Uma das mais importantes funções da Casa Espírita é divulgar e comunicar a Doutrina Espírita. O Centro deve levar a todas as almas a Terceira Revelação. O recurso que todos eles têm para esse mister é a palavra dos seus integrantes (dirigentes e trabalhadores), e companheiros de ideal de outras co-irmãs.

O trabalho de divulgar e comunicar o Espiritismo nas Casas Espíritas tem o seu lugar de destaque: as reuniões públicas, conhecidas como reunião de divulgação doutrinária e reunião de assistência espiritual. Justificando os cuidados que devemos ter com elas, informa-nos a Espiritualidade Maior “que as almas em turvação mental, que acompanham parentes, amigos ou desafetos às reuniões públicas da Instituição, deles se desligam quando os encarnados se deixam renovar pelas idéias salvadoras, expressas nas palavras dos que veiculam o ensinamento doutrinário”.[6]

Por essa e outras razões, aquelas reuniões devem ser consideradas um horário nobre. Nelas se reúne o maior número de freqüentadores e trabalhadores da Instituição É, também, naquele momento que estão presentes os que ali chegam, quem sabe, pela primeira vez, em busca de argumentos racionais que lhes convençam sobre a afirmação de que a vida continua além da morte do corpo físico ou na esperança de ouvir uma palavra de consolo. Alguns, provavelmente, ansiosos que alguém lhes diga algo novo, original, que lhes enriqueça o conhecimento a respeito das coisas de Deus. Outros esperam que lhes apontem um norte para suas vidas, que estão à deriva naqueles momentos.

- Não é essa a finalidade do Espiritismo?

- As reuniões públicas não têm essa função?

- Porque decepcionar os que as procuram?

É urgente e didático que à palestra espírita se dê uma atenção toda especial para que não se transforme em um discurso cheio de mesmices ou em aula antididática e maçante. Não deverá ficar ao sabor da improvisação dos que, embora de boa vontade e com muito amor, não se preparam adequada e suficientemente, com o carinho e respeito que a Doutrina exige. A palestra sem originalidade e repetitiva dá a entender àqueles que a ouvem que o Espiritismo não tem conteúdo e que se distancia dos problemas atuais que afligem a todos! Cuidado também se deve ter para que exposição não se transforme numa demonstração de eruditismo e eloquência, não levando em consideração que entre os presentes somam-se os devidamente esclarecidos com os de pouca formação escolar e, até mesmo, os que não sabem ler nem escrever.

Para que a palestra espírita divulgue e comunique Espiritismo com eficiência e eficácia; para que esclareça e também console; para que, com sua originalidade, beleza e simplicidade, faça novos adeptos ou simpatizantes, é mister que algumas providências e cuidados sejam tomados muito antes de sua realização. É preciso que haja na instituição um conjunto de procedimentos administrativos que dêem à palestra pública a condição que ela merece, ao público o devido respeito e à Doutrina a caridade de ser divulgada com excelência.

Afirma com muita propriedade o autor de “A Caridade do Verbo”: “- Ante a dor e a ignorância espiritual, o erro e o desespero humanos, o esclarecimento espírita surge como o sol nas trevas da sociedade. É fundamental, por isso, que o espírita se aprimore na condição de “comunicador.”[7] Acrescentamos à respeitável advertência do confrade amigo que esse aprimoramento deve ser buscado, também, pela instituição espírita, elaborando um programa seleto, que permita o “Sol” do Espiritismo nascer e brilhar nas palestras públicas oferecidas por ela à comunidade que a freqüenta.



(Publicado na Revista Internacional de Espiritismo, em julho de 2000)

Um comentário:

  1. Nobres irmãos (ãs), conscientes, ou cada vez mais conscientes da Lei de Amor, quão oportuna é esta reflexão quando compreendida a linguagem como uma faculdade intrínseca ao ser humano. É a Doutrina Espírita a proposta divina de sublimação de todas as potencialidades do homem, e a fala é uma delas.
    Que Jesus nos inspire em nossas comunicações escritas, faladas, gestuais, de cada dia... fazendo-nos instrumentos do bem e do amor.

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